Em briga de marido e mulher... Se mete a justiça




       Segundo estudo do Datafolha divulgado em 2017, mais de 500 mulheres por hora sofrem agressão física no Brasil. O número, significativo, representa 9% da população feminina total no Brasil, o equivalente a 4,4 milhões de brasileiras. O dado se torna mais assustador ao considerar agressões verbais, subindo para 29%. Parte das vítimas declara ter levado chutes, batidas ou empurrões. Esse número registra apenas parte da violência realizada contra mulheres, Em meio a tantas agressões, estupros ocorrem diariamente. Em 2015, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a cada 11 minutos uma mulher era estuprada. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, aproximadamente 70% dos casos são contra crianças e adolescentes. Nessa realidade, apenas 15,7% dos acusados de estupro foram presos, segundo dados do Estado de São Paulo, mesmo local que apontou 1 estupro em local público no Estado a cada 11 horas. Entre os crimes de agressões e estupros, em diversos casos a violência transcende o que pode ser suportado pelas mulheres, resultando no feminicídio, crime onde a vítima é assassinada apenas por ser mulher. O crime foi contabilizado de forma tão ampla no país no período de 2016, que contribuiu para que o Brasil fosse considerado a quinta pátria que mais mata mulheres. Apenas países como El Salvador, Guatemala, Colômbia e Rússia tiveram o número de feminicídios maior que o assustador 4,8 a cada 100 mil habitantes brasileiros. Se esses números forem contabilizados em instantes, a cada 7,2 segundos uma mulher é vítima de violência física segundo os Relógios da Violência do Instituto Maria da Penha. Até o exato momento em que essa matéria foi lida, aproximadamente 14 mulheres foram violentadas. Ainda contabilizando em instantes, 2013 foi um ano onde pelo menos 13 mulheres morreram por dia segundo o Mapa da Violência. Em 30% dos casos o assassinato foi realizado pelo parceiro ou ex.

Apesar do espanto pelo crime realizado por alguém tão próximo a vitima, a OMS contabiliza até mais, sendo 35% a quantidade de casos onde a mulher é assassinada pelo parceiro. Especialistas apontam o mesmo ou o ex como uma das principais causas de feminicídio. Relacionamentos abusivos, vistos pela própria companheira, em muitos casos, como inofensivo, são parte dessas estatísticas. Indícios de um relacionamento abusivo são implicâncias e piadas do parceiro com a forma como a mulher se veste, age, ou até mesmo com amizades e lugares onde ela frequenta.
Uma entrevistada, que para preservar a identidade iremos chamar de Júlia (nome fictício), 19 anos, conta como foi o tempo em que esteve ao lado do seu ex: “eu acreditava que ele podia melhorar sabe? Por isso eu não tomava a decisão de terminar, porque eu acreditava que podia ajudar ele a se tornar alguém melhor”. Quanto questionada sobre os tipos de violência que sofria, Beatriz explica que as violências eram tanto físicas quanto verbais, “frequentemente ele me obrigava a fazer sexo com ele, quando eu não queria, ele dizia que eu nunca iria arranjar alguém, que eu era feia, que ninguém gostava de mim. Uma vez ele chegou a me socar na barriga”. A jovem ainda explica que existiam outros tipos de agressão, “ele me forçava a tomar remédios que faziam mal a minha saúde, hoje eu olho pra trás e imagino que ele realmente queria a minha morte”. Beatriz não é a única, Júlia (nome fictício), 23 anos, conta que seu ex frequentemente entrava em suas redes sociais para acompanhar com quem existiam conversas e sobre o que eram, “era horrível, eu tinha medo até de me relacionar com meus amigos, iniciar alguma conversa ou algo assim, porque sabia que ele iria ver tudo depois, apagar levantava suspeita, mas manter a conversa no perfil era garantia de briga”. Questionada sobre motivos para não terminar com ele, ela esclarece, “eu estava apaixonada, eu acreditava que ele mudaria, sempre acreditamos nisso”. Em 2005 foi criado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), o Ligue 180, Central de Atendimento a Mulher. O canal realiza frequentemente atendimento de diversas regiões, tendo contabilizado em 2015 um total de 749.024 chamadas, praticamente 1 a cada 42 segundos. Desde 2005, segundo o próprio Ligue 180, são quase 5 milhões deatendimentos. Delegacias da mulher são outro ponto recorrente de atendimentos. O Boletim de Ocorrência é registrado normalmente como em outras unidades, porém a dedicação dos funcionários da localidade é para mulheres. A lista de pelo menos uma Delegacia da mulher de acordo com o seu Estado, pode ser vista aqui. Para acessar a lista completa basta entrar no Portal de segurança do seu Estado e selecionar as opções que indicam onde esse tipo de serviço está localizado. Além da denúncia, o mais recomendável para a vítima é o acompanhamento psicológico, para que exista o tratamento do trauma e apoio no processo de recuperação mental do ato, tanto empurrões e tapas quanto estupros, feridas sérias e graves. As denúncias não cabem somente a vítima,algo bastante discutido na mídia.

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